sábado, 7 de maio de 2011

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS


     Criada a Academia Brasileira de Letras, sob a tutela austera de Machado de Assis, mudam-se os costumes, entre literatos, no Brasil. A Academia veta os comportamentos libertinos e boêmios. Para Machado a Academia devia ser, também, uma casa de boa companhia, e o critério das boas maneiras, da absoluta respeitabilidade pessoal não podia ser abstraído dos requisitos essenciais para que ali se pudesse entrar.

     A reação imediata do cearense Paula Nei (1858-1897), poeta e boêmio inveterado, por ter sido excluído do número de quarenta imortais fundadores da Academia, foi a de criar a Academia Livre de Letras, onde pespontariam alguns boêmios.

     Ficaram fora da ABL, por serem boêmios, figuras renomadas como B. Lopes (1859-1916), Emílio de Menezes (1866-1918) e Lima Barreto (1881-1922). Lima Barreto, em carta a Monteiro Lobato (1882-1948 - ver Papeando 52), explica o insucesso: Sei bem que não dou para a Academia e a reputação de minha vida urbana não se coaduna com a sua respeitabilidade. De modo próprio, até deixei de freqüentar casas de mais ou menos cerimônia - como é que podia pretender a Academia? Decerto não...

   Coisas da vida, direis. Logo Lima Barreto a quem, profeticamente, Lobato dirá: Mais tarde será nos teus livros, e alguns de Machado de Assis, mas sobretudo nos teus, que os pósteros poderão sentir o Rio atual com todas as suas mazelas... Paisagem e almas, todas, está tudo ali.

   Quem nunca desistiu de entrar para a ABL foi Emílio de Menezes, paranaense de Curitiba. Em 15 de agosto de 1914, e somente após a morte de Machado de Assis, conseguiu ser eleito para a vaga de Salvador de Mendonça (1841-1913).



   Informa Medeiros e Albuquerque (1867-1934), pernambucano de Recife, então presidente da ABL, que a eleição de Emílio de Menezes se deu por medo dos acadêmicos, pois muitos receavam as sátiras de Emílio, que faziam todo mundo rir e eram “modelos de perversidade.



REQUERIMENTO ENGROSSATIVO MAS SINCERO - HINO À DENTADA
Emílio de Menezes

“Lebrão! Tu sabes que a Confeitaria
Colombo é verdadeira sucursal
Da nossa muito douta Academia
Mas sem cheiro de empréstimo oficial.

Cerca-te sempre a grande simpatia
De todo literato honesto e leal,
E tu te vais tornando dia a dia
O Mecenas de todo esse pessoal..

Nisto mostras que és homem de talento,
Que não cuidas somente de pastéis
Nem de lucros tirar cento por cento.

Atende, pois, a um dos amigos fiéis,
Que está passando por um mau momento
E anda doido a cavar trinta mil-réis!...”

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